Prezados Servidores Públicos Municipais de Iperó/SP
No ambiente de trabalho, sempre deveria haver incentivos, reconhecimento e apoio dos superiores. Além disso, o Município de Iperó deveria ter como princípio respeitar os diferentes pontos de vista e garantir um ambiente aberto no qual todos podem colocar suas opiniões livremente, sem perseguições. Considerando o momento conturbado nas esferas políticas, econômicas e sociais atualmente, é imprescindível a reflexão acerca da importância do servidor na vida da população.
Entretanto as constantes denúncias dos servidores sobre assédios moral, perseguições, opressão no local de trabalho por parte do superior imediato tem transformado o exercício de suas atividades em uma penúria, sofrimento, levando vários funcionários a tomar medicamentos para trabalhar e para dormir, outros a se afastarem por depressão e outros problemas psicológicos.
Na cidade de Iperó se esperava do poder público apoio aos servidores, entretanto tem ocorrido o oposto.
Fatos recentes nos levam a entender que o regime adotado pelo município é de omissão quanto aos fatos ocorridos, as ameaças, a opressão como ferramenta de controle dos servidores, a doutrina do terror.
Tais atitudes não mostram nada sobre os servidores, mas evidencia como é o comportamento dos administradores municipais e nos faz ver que precisamos melhorar muito no trato com os formadores do futuro do país, uma vez que os atuais continuam cometendo o horrendo crime de assédio moral.
O assédio no trabalho é qualquer conduta abusiva que se manifesta, sobremaneira, por comportamentos, palavras, atos, gestos e escritos.
Tal situação tem como consequências imediatas lesar a personalidade, a dignidade e/ou à integridade física ou psíquica do agredido. Este, muitas vezes, vê a degradação do ambiente laboral e seu emprego ser colocado em perigo. O assédio inclui: a recusa de comunicação direta, a desqualificação, o descrédito, o isolamento, o vexame, a indução ao erro e o assédio sexual.
Aponta como ponto de partida do assédio, a luta pelo poder e o abuso deste, descrevendo os procedimentos existentes em empresa, cujos responsáveis que não tomam nenhuma atitude, bem como os procedimentos utilizados por àquelas que estimulam os métodos perversos.
A segunda parte, denominada relação perversa e seus protagonistas, apresenta: a sedução perversa, a comunicação perversa, a violência perversa, o agressor e a vítima. Na sedução perversa, o enredamento apresenta três dimensões: uma ação de apropriação, em que o outro se despossui; uma ação de dominação, em que o outro é mantido em estado de submissão e de dependência; e uma dimensão de impressão, pois se objetiva imprimir no outro uma marca de características negativas.
Na comunicação perversa, o enredamento e a comunicação se estabelecem com o uso de procedimentos que, dão à todos a ilusão que o intercâmbio pessoal está se processando. Surge, então, a situação da angústia, pois, a violência é abafada pelas reticências, subentendidos e pelos não-ditos. A angústia se agrava pela recusa da comunicação direta; pela linguagem deformada; pelas mentiras; pelo manejo do sarcasmo, da derrisão e do desprezo; pelo uso do paradoxo; pela desqualificação; pela divisão para melhor dominar; e, finalmente, pela imposição do próprio poder.
No item violência perversa, a resistência ao domínio é diretamente proporcional à exposição ao ódio, sentimento que se torna visível, levando a acuação do outro.
Na descrição do agressor, a autora destaca exemplos de narcisismo, de perversão, de megalomania, de vampirização, de irresponsabilidade e de paranoia. Já sobre a vítima, a estudiosa afirma que, esta é vítima porque assim foi designada pelo agressor destarte, é escolhida porque suscita inveja. Esta, questiona-se sobre sua escolha como bode expiatório, e depois passa, à primeira vista, a aceitar seu destino, emergindo, nesse momento, os sentimentos de desvalorização e de culpa. É o momento em que o poder mais impera, e faz a vítima calar-se pelo terror.
Os dois adotam uma atitude de cessão mútua, evitando o conflito mais aberto, embora, subliminarmente, o agressor fique cada vez mais certo de seu poder. A outra possibilidade é a confusão da vítima, pois, não sabe ou não ousa se queixar, e aqui se tem como produto a instalação do estresse e do medo.
A longo prazo, as consequências são: o choque emocional, quando a vítima toma consciência da agressão, e passa a sentir-se desamparada e ferida, e a dor soma-se à angústia; a descompensarão, ocorrendo um esgotamento psíquico com respostas fisiológicas, situação que, não raro, leva-a a buscar ou a ser encaminhada o um serviço de psiquiatria; a separação, esta que, quando chega a ocorrer, é sempre por iniciativa da vítima e, este processo de libertação, se dá com dor e culpa, podendo vir a buscar um encaminhamento jurídico; a evolução, como última consequência citada, é a tentativa de superação ou de esquecimento por parte da vítima, nunca sendo afastada a possibilidade de sequelas psíquicas, com por exemplo, o desenvolvimento da síndrome do estresse pós-traumático. Os conselhos práticos dizem respeito ao reconhecimento da situação, a busca por ações, a resistência psicológica e a intervenção judiciária.
Há diferentes formas de compreender e classificar as atitudes hostis presentes no assédio moral no trabalho.
A classificação de Hirigoyen, que é bastante utilizada em pesquisas e agrupa as condutas abusivas em relação ao trabalhador em quatro categorias.
A classificação inicia pela categoria em que as ações são mais difíceis de destacar e identificar até as mais evidentes e manifestas:
1 – A deterioração proposital das condições de trabalho inclui: os atos de contestação sistemática de todas as decisões tomadas pela vítima; críticas desproporcionais, inadequadas e injustas ao trabalho; delegação de tarefas aquém da capacidade ou impossíveis de serem cumpridas, dentre outras;
2 – O isolamento e a recusa de comunicação incluem: as atitudes de excluir a vítima; recusar-se a falar, olhar ou convidar para eventos sociais do serviço, etc.;
3 – O atentado contra a dignidade abrange as chacotas com relação a características pessoais e profissionais da vítima; gestos de desprezo e injúria; insinuações desqualificadas, dentre outras; e, por fim;
4 – a violência verbal, física e sexual que abarca: as ameaças de violência física, empurrões gritos, insinuações e assédio sexual, invasão da vida privada, etc. (HIRIGOYEN, 2015)
Todas essas violências psíquicas, psicológicas, ocorrem nos mais diversos setores na cidade de Iperó, motivo pelo qual o sindicato dos Servidores se coloca ao lado do servidor para combater essa prática criminosa.
Ao sofrer ou ver alguém sofrendo assédio moral, denuncie ao sindicato, pois estaremos tomando todas as medidas cabíveis a fim de pôr fim a prática do assédio moral no município de Iperó.
Instruções a serem seguidas caso um assediador te chamar para conversar;
1 – Não vá sozinho falar com o assediador;
2 – Esse tipo de gente mão gosta de ser confrontado, portanto caso ele não permita que você leve outra pessoa para a reunião com ele, então grave a conversa;
3 – Caso não permita gravar, envie mensagem ao sindicato informando a prática criminosa;
4 – fazer Boletim de ocorrência.
JOSÉ R. REIS
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